Quinta-feira, Outubro 06, 2005 :::
Ela cantava. Ele olhava a rua deserta da janela do edifício, fumando um cigarro, existencial, tenso, cansado, era noite. Mas ela cantava em algum lugar de outra varanda. A voz era afinada, tocante. Ele ouviu: "... você deságua em mim, eu oceano".
Os carros passavem ruidosos, cortando os versos. Ela cantava como se aquela noite barulhenta, aquela solidão noturna e aquele frio fossem seu momento mais doce. E ele desejou aquele mesmo momento dela para si. Tanto que em seus ouvidos calaram os carros, a noite ficou cheia de possibilidades mornas. E então, querendo compartilhar aquele amor tranqüilo pela noite, pegou o telefone:
-- Alô!
-- Oi! Sou eu! Escuta, deixa eu ler uma coisa aqui pra tu: "Ela cantava...".
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:42 AM