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Segunda-feira, Julho 25, 2005 :::
 
MISE EN ABYME

[especialmente para http://ubbibr.fotolog.net/deboyfromipanema/ ]

a capa do disco Ummagumma, do Pink Floyd, é um dos exemplo mais clássicos de uma mise en abyme. ao pé da letra, isso quer dizer "posto em abismo". descobri que o nome veio do estudo dos brasões [heráldica]. o abyme era uma parte no centro do escudo que reproduzia sua própria forma em miniatura. quem o usou primeiro foi o escritor e ensaísta André Gide, em 1893. em linhas gerais, a mise en abyme corresponde a uma estratégia narrativa em que o tema da obra é apresentado "resumido", como uma coisa que contém ela mesma numa forma menor. dois grandes exemplos artísticos são: nas artes plásticas o quadro "O Casamento dos Arnolfini", do holandês Van Eyk, e no teatro a peça Hamlet, de Shakespeare. Na peça, [Ato III, cena II], o príncipe da Dinamarca pede a atores que representem o possível drama de traição vivido por seu pai antes de morrer pra verificar a reação do tio [agora Rei] e confirmar sua culpa no assassinato. esse trecho assume dois papéis interessantes: 1) retoma, através de um resumo, os acontecimentos que desencadearam a trama da peça e 2) ao colocar atores assistindo outros atores [mise en abyme] causa uma quebra na fronteira entre o real e o ficcional, pois, se os atores da peça Hamlet são espectadores de uma outra peça [dentro dela], então nós também poderíamos ser espectadores criados por uma ficção.

esse poder de borrar as linhas fronteiriças entre o real e o fictional me parece a característica mais fascinante do fenômeno da mise en abyme. desde André Gide, houve algumas tentativas de dar uma descrição definitiva a essa estratégia narrativa, mas ainda existe muita controvérsia a respeito de como conceituar e categorizar o fenômeno, que, na verdade, aparece sob vários aspectos e pode interferir em vários níveis na força narrativa.

segue abaixo uma representação clássica de uma mise en abyme: a capa do disco Ummagumma, do Pink Floyd. mise en abyme: o quadro dentro do quadro, a peça dentro da peça, a história dentro da história, a obra dentro da obra.





::: posted by JOHNNY MARTINS at 11:42 AM


Domingo, Julho 24, 2005 :::
 
SENSE AND SENSIBILITY

Enquanto estourava sementes de cannabis com os dedos, Flora confessou:

-- Eu fazia isso com a cabeça das formigas quando era criança...

A outra, incrédula e com pensamentos de pavor, sorriu nervosamente.

Flora concluiu:

-- Acho que fui uma lagartixa na encarnação passada... Eu tenho medo e um certo respeito por gatos...




::: posted by JOHNNY MARTINS at 3:19 PM




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