Não vou perder tempo dizendo quem eu sou. Não adiantaria nada. Somos iguais: muito ego e pouco tempo. Então, apenas navegue por estes escritos diVersos e Prosa.  

RISCO NO TEMPO


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Sábado, Setembro 25, 2004 :::
 

reformulei o conto.

::: posted by JOHNNY MARTINS at 4:38 PM


Domingo, Setembro 19, 2004 :::
 


A tela acima é de Poussin. chama-se "A Vitória de Josué Sobre os Amoritas"

final de semana quase todo em casa. há muito tempo isso não acontecia. os amigos visitaram. filmes: "Gangues de Nova Iorque", "O Chamado" e "Hellraiser". rimos muito, ouvimos música e eu li Poe para eles. discutimos política e preparamos o editorial do jornal que vai circular no nosso bairro [Ibura]: vai se chamar "O Piolho".

fazia mesmo muito tempo mesmo ou nunca aconteceu um final de semana como este?

experimentei liberdades surpreedentes.

ando descobrindo coisas. ajudei um amigo a organizar o texto de sua monografia para conclusão do curso de sociologia. trata da capoeira enquanto instrumento de resgate da cidadania. tive uma bela chuva de informações. o conto que posto abaixo é dedicado a esse amigo.

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JOSUEL [by Johnny Martins]

uma seqüencia especialíssima de 32 horas me deram uma história pra contar. 32 horas de uma transformação crescente das coisas. não se pode recuperar totalmente os acontecimentos desse tempo: o depois do agora sempre chega devorando a permanência das lembranças e sai deixando na cabeça apenas pedaços dos instantes. vou, porém, tentar apanhar alguns:

comecei a notar que alguma coisa estava indo diferente naquele dia quando, no ônibus, o cara que estava sentado ao meu lado tinha nas mãos uma revista que falava sobre uma civilização muitíssimo antiga, cujas cidades eram construídas com surpreendentes requintes de modernidade.

fiquei surpreso com a leitura do rapaz, pois desconfio que 80% dos leitores-passageiros-de-coletivos preferem a bíblia [já que só Jesus salva dos assaltos aos ônibus!]. portanto, estava agora ao meu lado, querendo se comunicar [outra coisa rara!], uma pessoa que se interessava por civilizações antigas, de antes da bíblia! ele puxou conversa e eu acabei me envolvendo e perdendo da parada.

foi assim que me perdi. estava procurando o caminho da casa de um amigo. era um momento de matar saudades e criar outras. no início, para mim, ele era uma sombra. depois apareceu o nome, o corpo, os olhos e a voz. com a imagem formada, ele me ofeceu um coração aconchegante que ia se tornando cada vez mais aveludado a cada contato, como os arrecifes.

eu andava na estrada, comigo mesmo, abrindo um caminho já sem florestas e vendo a claridão das 15:35. nessa mesmíssima estrada, nos longes ainda, avistei o sorriso de um menino quase familiar.

ele me disse:

-- obrigado por ter vindo para ouvir minhas histórias em que te darei palavras e imagens novas! não te preocupes com o tempo, pois o teu sorriso sempre encontrará o meu e tu esquerás essa falta. vem, me mostra um pouco do que és! trago espelhos do futuro!

achei que me confudira com outra pessoa, mas não pude nada, senão seguir sua presença de abrigo.

em sua casa, fui aos poucos tateando seus brinquedos. eram vivos! e eram os mesmo que, um dia, eu fui esquecendo pelos parques.

ele não se esqueceu de me ensinar as tais palavras: os nomes de certas batidas no peito, os instrumentos, os movimentos... e falou ainda das paisagens de seu bosque. e era tudo tão real que houve até banquetes e gargalhadas!

a noite passou mansa, cheia de vozes e brilhos. os sonhos chegaram cavalgando paraísos.

no dia seguinte houve mais palavras e causos.

a despedia aconteceu noite adentro, quando eu desviei a atenção e tive uma vertigem ao pensar em coisas inatingíveis! nem eu mesmo entedia mais as batidas urgentes na minha porta, de dentro pra fora! sentia que a falta daquele guia já me assaltava.

na beira do mar, atrasei as despedidas falando do mito de um jacaré que morava num poço no meio do bosque. eram imagens da minha infância: um terreno pequeno e impenetrável, coberto de matas, sussurando mistérios. precisávamos chegar mais perto e encontrar o poço lá dentro. o poço, pasmem, existia! seria verdade que abrigava um montro? no exato momento dessa idéia na cabeça todos. alguém gritou:

-- Jacaré!!! corre!!!

ninguém via o tal bicho, mas todos corriam como se fosse a última corrida!

do outro lado do muro, o monstro de desfez na imagem das gargalhadas de Fabiano!

Josuel também ria comigo dessa história e assim nos despedimos.

quanto ao amigo que eu ia encontrar quando me desviei do caminho, ficou tão distantes, que já nem espero mais suas cartas.


::: posted by JOHNNY MARTINS at 6:39 PM




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