Sexta-feira, Outubro 26, 2007 :::
saudades do futuro...
Saudades do futuro...
::: posted by JOHNNY MARTINS at 4:26 PM
Segunda-feira, Janeiro 22, 2007 :::
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esse blog tá estranho: não aparece o link que coloquei do "teste de personalidade". aí vai de novo (está em inglês):
http://www.4degreez.com/misc/personality_disorder_test.mv
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:45 AM
Domingo, Janeiro 21, 2007 :::
Sr. e Sta.Nós,
TENDER IS THE NIGHT: Lua cheia fotografada do bar Marola, à beira-mar de Olinda em setembro do ano passado (2006).
SÁBADO À NOITE: só penso em duas coisas pra combinar com essa leve melancolia: o livro Suave é a Noite (de F. Scott Fitzgerald) e uma garrafa de vodka. mas esta noite tenho que ler, sobriamente, teorias literárias de Gérard Genette. não é de todo mal.
mas vou deixar aqui um trecho de Fitzgerald:
"Havia uma tragédia lá fora, naquela tarde de fevereiro, um pobre pássaro de asas feridas, e aqui dentro tudo era inconsistente -- inconsistente e dúbio."
(Suave é a Noite, p. 137)
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:27 AM
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007 :::
O famoso arqueólogo Arriano Suassunga andou jogando suas pedras do reino em Madonna e Michael Jackson hoje numa entrevista no Fantástico. Chamou os dois de "lixo cultural" (ele já tinha usado o mesmo título para a música de Chico Science). Disse também que só compraria um disco dos dois numa situação de "extrema penúria intelectual e moral". Já se sabe a resposta dos dois astros do pop internacional:
Madonna desdenhou:
-- Papa, don't preach !
Michael Jackoson provocou:
-- Who's bad ?
Resta saber se Arriano fala inglês.
É verdade que ele será nosso novo Secretário Estadual de Cultura?
I wonder...
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:36 AM
Quarta-feira, Janeiro 03, 2007 :::
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Talvez essa angústia
seja feita de muito querer:
um café querendo ser noite,
uma amiga querendo esticar o dia,
e um pôr-do-sol indeciso...
___Poeminha da ambição ::: Johnny Martins___
::: posted by JOHNNY MARTINS at 3:16 AM
Segunda-feira, Dezembro 04, 2006 :::
Jesus: Peter, You could not watch even one hour with me?
"Pedro, não poderias vigiar nem mesmo uma hora comigo?". essa frase é uma das falas de Cristo (James Caviezel) no filme "A Paixão de Cristo" (2004), de Mel Gibson (diretor, roteirista e produtor do filme). em inglês, o verbo "watch" também pode significar "assistir". creio que seria difícil até para o próprio Cristo assistir a uma hora desse festival de imbecilidades perversas, mascaradas de cristianismo devoto, de Mel Gibson. além de todas as pieguices com que costumam representar a chamada "paixão de Cristo", Gibson (1956-) acrescenta curiosos toques de preconceito, com direito a anões que aparecem sempre como demônios e um Satanás (a atriz/modelo Rosalinda Calentano) andrógino, o que nos faz lembrar e desconfiar de que são justas as acusações de homofobia dirigidas a Gibson.
a TV Record exibiu o filme neste domingo (03/12/06), em horário nobre, anunciado desde a semana anterior. pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus desde 1989, a TV Record, no entanto, não se absteve de vender de tudo nos intervalos comerciais do filme, de inseticida a bebidas alcoólicas. e de várias marcas: Skol, Nova Skin e até o uísque Gran Par. talvez Gibson desaprovasse isso, uma vez que luta contra o alcolismo há vários anos.
Gibson é republicano e católico praticante, defensor da doutrina Extra Ecclesiam nulla salus (ver a Bula Papal Unam Sanctam -- 1302 -- do Papa Bonifácio VIII), que afirma "não haver salvação fora da Igreja" (fora da Igreja Católica, naturalmente).
e na manhã seguinte à exibição do filme (que deve ter atingido picos de audiência):
D. Fulana (que almeja ir para o céu): Johnny, vc assistiu ao filme ontem, A Paixão de Cristo?
Johnny (que almeja um Estado verdadeiramente laico): sim, vi no cinema.
D. Fulana: que filme, heim?
Johnny: pois é. nojento, não?!
D. Fulana (estarrecida): ...
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:53 AM
Quinta-feira, Julho 27, 2006 :::
David Hockney ::: Man Shower
::: posted by JOHNNY MARTINS at 8:11 PM
Sábado, Julho 01, 2006 :::
Canção de Ninar Psicanalistas:
"Terezinha de Jesus
Numa queda foi ao chão,
Acudiram 3 cavalheiros,
Todos 3 chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai,
O segundo, seu irmão,
O terceiro foi aquele
Que à Tereza deu a mão.
hihihihihihihih
::: posted by JOHNNY MARTINS at 3:49 AM
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006 :::
descoberta interessante do dia:
1. experimento de minha amiga Maristela: cauda de chocolate sobre cubos de melancia gelados. a mistura me parecia estranhíssima, mas quando comi senti um orgasmo na boca!
::: posted by JOHNNY MARTINS at 2:26 AM
Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006 :::
Saudade, René Magritte
ainda no impacto de Brokeback Mountain, ouvindo lurgee (Radiohead). diz isso:
"I feel better, I feel better now you've gone.
I got better, I got better, I got strong.
I feel better, I feel better now there's nothing wrong.
I got better, I got better, I got strong.
Tell me something, tell me something I don't know.
Tell me one thing, tell me one thing, and let it go.
I got something, I got something, heaven knows.
I got something, I got something, I don't know."
eis o meu estado!
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.
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alguém pode me dizer o que são essas guitarras???
a anestesia passou e percebo que o filme me diluiu em substâncias que não sei quais são... só sei que dói. e alegra! leio ela, Hilda Hilst:
"Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava tua mão, respira meu sopro, deglute
em cadência minha escura agonia."
(Prelúdios-Intensos Para os Desmemoriados do Amor)
::: posted by JOHNNY MARTINS at 2:30 AM
Quinta-feira, Outubro 06, 2005 :::
Ela cantava. Ele olhava a rua deserta da janela do edifício, fumando um cigarro, existencial, tenso, cansado, era noite. Mas ela cantava em algum lugar de outra varanda. A voz era afinada, tocante. Ele ouviu: "... você deságua em mim, eu oceano".
Os carros passavem ruidosos, cortando os versos. Ela cantava como se aquela noite barulhenta, aquela solidão noturna e aquele frio fossem seu momento mais doce. E ele desejou aquele mesmo momento dela para si. Tanto que em seus ouvidos calaram os carros, a noite ficou cheia de possibilidades mornas. E então, querendo compartilhar aquele amor tranqüilo pela noite, pegou o telefone:
-- Alô!
-- Oi! Sou eu! Escuta, deixa eu ler uma coisa aqui pra tu: "Ela cantava...".
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:42 AM
Quarta-feira, Agosto 17, 2005 :::
A Piedade
Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos
[Roberto Piva, IN: Paranóia (1963)]
::: posted by JOHNNY MARTINS at 9:15 PM
Segunda-feira, Agosto 08, 2005 :::
CAC-CAOS
hoje, pela manhã, estive no CAC pra entregar uma das monografias que tinha que escrever. tudo estava um caos. encontro de estudantes de letras. eles iriam ser alojados no CEFET, mas houve algum problema por lá, entáo, resolveram se hospedar nos corredores do CAC.
tô com gripe e preocupado com um trabalho sobre mise en abyme que tenho q escrever, portanto, nem vou me esforçar em deixar algum dito espirituoso aqui.
o dia passou por mim e só agora eu notei por causa desta descoberta abaixo:
trata-se de "Banho de Champagne" [óleo sobre tela], da coleção "O Libertino". Artista: Juarez Machado
sítio: http://www.jmachado.com
::: posted by JOHNNY MARTINS at 8:20 PM
Segunda-feira, Agosto 01, 2005 :::
Meu caro senhor:
Acabo de receber a sua carta. Não quero deixar de lhe agradecer a grande e preciosa confiança que esta representa, mas pouco mais posso fazer. Não analisarei a maneira dos seus versos, porque sempre fui alheio a qualquer preocupação crítica. Para penetrar uma obra de arte, nada, aliás, pior do que as palavras da crítica, que apenas conduzem a mal entendidos mais ou menos felizes. Nem tudo se pode apreender ou dizer, como nos querem fazer acreditar. Quase tudo o que acontece é inexprimível e se passa numa região que a palavra jamais atingiu. E nada mais difícil de exprimir do que as obras de arte - seres vivos e secretos cuja vida imortal acompanha a nossa vida efémera.
[Rainer Maria Rilke: CARTAS A UM JOVEM POETA (Carta de 17 de Fevereiro de 1903)]
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:48 AM
Domingo, Julho 31, 2005 :::
"... a História, no entanto, é cheia de situações nas quais o poder estabilizador da literatura tem sido usado para sustentar sistemas dominantes. Freqüentemente, tais obras tendem a ser de uma natureza mais trivial, pois reafirmam normas específicas baseadas na idéia de treinar o leitor de acordo com os códigos morais e sociais vigentes -- porém, nem sempre é este o caso."
[THE ACT OF READING, Wolfgang Iser]
e a tela acima é de picasso: NU NUMA POLTRONA
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:46 AM
Segunda-feira, Julho 25, 2005 :::
MISE EN ABYME
[especialmente para http://ubbibr.fotolog.net/deboyfromipanema/ ]
a capa do disco Ummagumma, do Pink Floyd, é um dos exemplo mais clássicos de uma mise en abyme. ao pé da letra, isso quer dizer "posto em abismo". descobri que o nome veio do estudo dos brasões [heráldica]. o abyme era uma parte no centro do escudo que reproduzia sua própria forma em miniatura. quem o usou primeiro foi o escritor e ensaísta André Gide, em 1893. em linhas gerais, a mise en abyme corresponde a uma estratégia narrativa em que o tema da obra é apresentado "resumido", como uma coisa que contém ela mesma numa forma menor. dois grandes exemplos artísticos são: nas artes plásticas o quadro "O Casamento dos Arnolfini", do holandês Van Eyk, e no teatro a peça Hamlet, de Shakespeare. Na peça, [Ato III, cena II], o príncipe da Dinamarca pede a atores que representem o possível drama de traição vivido por seu pai antes de morrer pra verificar a reação do tio [agora Rei] e confirmar sua culpa no assassinato. esse trecho assume dois papéis interessantes: 1) retoma, através de um resumo, os acontecimentos que desencadearam a trama da peça e 2) ao colocar atores assistindo outros atores [mise en abyme] causa uma quebra na fronteira entre o real e o ficcional, pois, se os atores da peça Hamlet são espectadores de uma outra peça [dentro dela], então nós também poderíamos ser espectadores criados por uma ficção.
esse poder de borrar as linhas fronteiriças entre o real e o fictional me parece a característica mais fascinante do fenômeno da mise en abyme. desde André Gide, houve algumas tentativas de dar uma descrição definitiva a essa estratégia narrativa, mas ainda existe muita controvérsia a respeito de como conceituar e categorizar o fenômeno, que, na verdade, aparece sob vários aspectos e pode interferir em vários níveis na força narrativa.
segue abaixo uma representação clássica de uma mise en abyme: a capa do disco Ummagumma, do Pink Floyd. mise en abyme: o quadro dentro do quadro, a peça dentro da peça, a história dentro da história, a obra dentro da obra.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 11:42 AM
Domingo, Julho 24, 2005 :::
SENSE AND SENSIBILITY
Enquanto estourava sementes de cannabis com os dedos, Flora confessou:
-- Eu fazia isso com a cabeça das formigas quando era criança...
A outra, incrédula e com pensamentos de pavor, sorriu nervosamente.
Flora concluiu:
-- Acho que fui uma lagartixa na encarnação passada... Eu tenho medo e um certo respeito por gatos...
::: posted by JOHNNY MARTINS at 3:19 PM
Domingo, Junho 05, 2005 :::
Destiny, destiny protect me from the world.
Destiny, hold my hand, protect me from the world.
Here we are with our running and confusion,
and I don't see no confusion anywhere.
And if the world does turn and if London burns,
I'll be standing on the beach with my guitar.
I want to be in a band when I get to heaven,
anyone can play guitar and they won't be a nothing any more.
Grow my hair, grow my hair, I am Jim Morrison,
grow my hair, I wanna be, wanna be, wanna be Jim Morrison.
Here we are with our running and confusion,
and I don't see no confusion anywhere.
And if the world does turn and if London burns,
I'll be standing on the beach with my guitar.
I want to be in a band when I get to heaven,
anyone can play guitar and they won't be a nothing any more.
[Anyone Can Play Guitar, do Radiohead]
Sr. e Srta. Nós,
pois é isso: pensando sobre o amor e a ficção pra elaborar o seminário da disciplina de Teoria da Ficção. depois eu posto aqui algumas conclusões. ARTE REGENDVS AMOR ["a arte guia o amor"], frase de Ovídio. ouvindo Pablo Honey do Radiohead pra me inspirar. essas guitarras... acho que não precisava de TANTA inspiração...
::: posted by JOHNNY MARTINS at 2:55 PM
Quinta-feira, Junho 02, 2005 :::
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
[SONETO DO DESMANTELO AZUL, Carlos Pena Fillho]
Sr. e Srta. Nós,
a foto foi um presente. depois eu posto aqui a referência.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 2:26 AM
Terça-feira, Maio 31, 2005 :::
Mãe Natureza
"Um homem que tem um pente e uma árvore
Serve para a poesia"
[Matéria de Poesia, MANOEL DE BARROS]
Sr. e Srta. Nós,
estava eu lá na aula de Análise da Narrativa, ocupando meus dois neurônios em saber se fotografia era uma narrativa ou não, quando ela me mostrou uma foto: o rosto de uma garota partido pela iluminação de fachos de luz. "num é lindo? esse fotógrafo é cego!"
sabe aqueles sustos que a gente tem quando se surpreende encontrando outro ser humano? pois bem, foi assim. e ainda com um sorriso acompanhando!
acho que foi por isso que lembrei de Adriana Dória quando vi certa cena outro dia.
antes, é importante descrevê-lo: está sempre em frente ao Hospital da Restauração, apenas de bermuda e todo sujo. tem um olhar que é uma mistura de medo e desconfiança. nunca ouvi sua voz. também nunca o vi pedindo esmola. fica sempre por ali, fazendo uma coisa e outra em troca de comida dada pelos donos das barracas [eu acho]. uma amiga comentou uma vez que pensou em trazer-lhes algumas roupas. o dono de uma das barracas desaconselhou: "pode trazer bermuda ou calça, Dona. só não traga camisa. ele rasga tudinho. é doido!"
há dois dias, chovia. quando passei, ele estava todo encolhido entre as raízes de uma árvore. como ele tem a pele escura e árvore também, os dois se misturavam numa só imagem, parecia um ninho abrigando aquele corpo em posição fetal. queria estar com minha câmera pra registrar aquela cena! foi quando lembrei de Adriana Dória: ela iria olhar pra foto e dizer: "é linda!" não que ela achasse a miséria linda. é que sinto que ela iria ser cúmplice do meu querer olhar o outro do lado de lá da margem.
ontem, quando passei em frente ao Hospital, pela hora do almoço, chovia de novo. de repente, vi uma mão mergulhar na água suja do esgoto e apanhar um "coração-de-negro" que havia caído. e antes que meu pensamento pudesse alcançar qualquer realidade, ele levou o fruto à boca!
abaixo, a tela "Café da Manhã de Um Homem Cego", de PABLO PICASSO.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 6:47 AM
Sábado, Maio 28, 2005 :::
Sr. e Srta. Nós,
chegando do Burburinho ao lado de Dionísio [tentando fazê-lo voltar pra sua festa antes de eu ir pra cama, mas não sei se vou ter sucesso].
depois do espetáculo "Disso Que Chamam Bom senso" [e achando que faltou um pouco disso ao espetáculo], tive felizes encontros: Anco Márcio [meu orientador], Alexandre, Pacelli e Luciana. após ouvir alguns comentários interessantes sobre o espetáculo, mudei um pouco de idéia.
a noite foi legal e isso é tudo [por enquanto]. vou curar essa embriaguez. Depeço-me de Dionísio e vou conversar com Morfeu.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 3:20 AM
Segunda-feira, Maio 16, 2005 :::
"Os sentimentos vastos não têm nome. Perdas, deslumbramentos, catástrofes do espírito, pesadelos da carne, os sentimentos vastos não têm boca, fundo de soturnez, mudo desvario, escuros enigmas habitados de vida mas sem sons, assim eu neste instante diante do teu corpo morto. Inventar palavras, quebrá-las, recompô-las, ajustar-me digno diante de tanta ferida, (..)"
Caro Sr. Nós,
estas são as primeiras linhas do conto Rútilo Nada, de minha musa Hilda Hilst. a quem interessar possa, entrei no mestrado em Teoria da Literatura para pesquisar sobre o discurso erótica na chamada "trilogia obscena" de HH. até agora, "tudo certo, como dois e dois são cinco".
pretendo voltar a escrever neste blog, se o Sr. Tempo permitir.
a tela cima chama-se A Morte dos Filhos de Niobe, de Abraham Bloemaert [1591]
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:17 AM
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005 :::
A Tua Presença Morena
>> Caetano Veloso
A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra
Negra, negra, negra
Negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
Morena, morena, morena
Morena, morena, morena
Morena
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:59 AM
Sexta-feira, Dezembro 31, 2004 :::
[Auto-retrato, de Roy Lichtenstein]
A Roupa Nova do Prisioneiro
Havia algo cruelmente ridículo nele. Verão infernal e ele de calça preta e terno quadriculado (preto e cinza). Tomou o nosso ônibus. Era magro, negro, rosto sério demais, ar de ter passado privações, uma bíblia na mão (daquelas cujas páginas têm as bordas douradas). Sim, para ele ― que andava de ônibus enfiado num terno ― o céu-paraíso deveria ser um lugar com estradas de ouro.
Deu-me abuso.
Pensei: se ele começar a pregar pra mim, vou mostrar pra ele aquela passagem de Deuteronômio que fala do apedrejamento de mulheres e questionar a considerada "palavra de Deus". Serei elegante: "senhor, me surpreende que o senhor, um homem tão inteligente, considere isso a palavra de um deus justo!" Mas, e se ele não fosse inteligente? Eu mentiria. Diria isso mesmo assim, como sarcasmo. Nesse caso, eu seria grosseiro, mas havia um bom motivo.
Toca o celular dele:
― Oi?
― ...
Havia um tom de censura e ameaça na voz. Só ouvíamos um lado da conversa.
― Estou... passando na Imbiribeira... Por quê?... Por quê?
― ...
― Onde está sua mãe?
― ...
― A essa hora por aí! Vá pra casa!
― ...
― Quando eu chegar em casa a gente conversa!
Deu-me pena do homem magro com a bíblia na mão, dentro do ônibus, usando terno no meio de um magnífico dia de verão.
((o.-)) Ouvindo Marvin Gaye: "Inner City Blues" (Live).
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:13 AM
Sexta-feira, Dezembro 17, 2004 :::
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
show do Cordel de Fogo Encantado e DJ Dolores [Izaar hipnotiza a gente!]. muito MASSA!!!
à tarde, eu e Will, dispensamos o motorista e inventamos uma pequena aventura. depois voltamos ao trabalho. :) foi bom!
::: posted by JOHNNY MARTINS at 11:26 AM
Sexta-feira, Novembro 12, 2004 :::
Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:
Dido foi puta, e puta d'um soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:
Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:
Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isso de virgo e honra é tudo peta.
[Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou simplesmente Bocage / 1765-1805, poeta português]
03:58 - acabo de chegar da inauguração da boate Livre Arbítrio. ÓTIMO!!! mas não sei se vale a pena voltar lá. essa cidade é pequena demais! reprimida demais e provinciana demais!
o bom é que encontrei Rildo e João [Dondinho].
só os loucos me dão a sensação de cumplicidade.
final de semana prolongado... talvez a praia de Pipa. talvez meu quarto junto com Hilda Hilst.
depois eu conto. vou dormir e curar essa embriguez. amanhã tem mais no Festival de Hip Hop no Curupira.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 4:09 AM
Sexta-feira, Outubro 29, 2004 :::
Adiamento (14-4-1928)
Álvaro de Campos
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei á secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha
infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e práctico
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose publica que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
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hoje fiquei pensando no porvir e senti um misto de angústia e medo... decidi seguir em frente.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 1:26 AM
Terça-feira, Outubro 26, 2004 :::
ando sem inspiração pra esse blog, mas ainda não vou dá-lo por encerrado... tenho postado mais no meu fotolog [ www.fotolog.net/risconotempo ].
A Balada do Fumo
Cada curva de fumo tem um som,
Tão vago e tão subtil como o gerar
Dum perfume suave, ou dum tom,
Que apenas comece a palpitar.
Torce-se o fumo sempre, e os ruídos
Das suas crispações podem-se ouvir;
Mas não bastam apenas os ouvidos
Para os compreender, para os sentir.
Alguma coisa em nós, muito interior,
Um sentido criado, p`ra que a dor
E a voz de tudo o que há seja escutada;
Dá-nos a percepção dos sons das curvas,
Da música ideal das ondas turvas
Do fumo, onde está presa uma balada.
JOÃO LÚCIO
(Poeta algarvio nasceu em 1880 e faleceu em 1918. Obra poética: O Meu Algarve, Descendo, Nas Asas do Sonho e postumamente Espalhando Fantasmas)
::::::::::: tô quase parando de fumar.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 12:11 PM
Sexta-feira, Outubro 01, 2004 :::
::: posted by JOHNNY MARTINS at 6:55 PM
Sábado, Setembro 25, 2004 :::
reformulei o conto.
::: posted by JOHNNY MARTINS at 4:38 PM